O que as férias escolares me ensinaram sobre gestão

Férias escolares. Só de ouvir essa expressão, muita gente pensa em descanso, diversão e dias mais leves. Mas, para mães que também são empreendedoras ou ocupam posições de liderança, esse período ganha um significado um pouco diferente. Não é sobre parar, é sobre reorganizar. Não é sobre silêncio, é sobre ajustar o volume. E, mais do que tudo, é um tempo que revela muito sobre como gerimos não apenas nossos negócios, mas também a vida.

Entre um lanche improvisado, uma brincadeira no meio do expediente e a tentativa de manter a casa em ordem com crianças cheias de energia circulando por todos os lados, percebi o quanto as habilidades que usamos para liderar um time são também indispensáveis na rotina familiar — e vice-versa. As férias escolares me ensinaram sobre liderança com presença, sobre a importância de improvisar com leveza e, principalmente, sobre a arte de equilibrar demandas sem perder o centro.

Planejar é essencial, mas adaptar é o que salva

Eu tinha um cronograma para as férias: dias de colônia de férias, passeios, atividades educativas, dias reservados para o trabalho. Na teoria, tudo funcionava. Na prática, surgiram imprevistos, birras, mudanças de planos. E então, mais uma vez, a vida me lembrou: controle absoluto é ilusão. Uma boa gestora é aquela que sabe dançar conforme a música — sem perder o ritmo e sem esquecer o próprio compasso.

Comunicação clara evita crises

Criança precisa saber o que esperar. Time também. Quando compartilho com meus filhos como será o dia, mesmo que com margem para mudanças, noto que eles se sentem mais tranquilos, colaborativos. O mesmo acontece com as pessoas que trabalham comigo: quanto mais transparente eu sou, mais confiança e alinhamento construímos juntos. A liderança que se comunica com empatia cria ambientes mais leves e produtivos.

Gestão é sobre gente, não sobre controle

Tentativas de controlar tudo ao nosso redor só geram frustração. Mas quando me permito estar presente de verdade, mesmo que por menos tempo, a qualidade desse tempo muda tudo. Uma hora cheia de presença vale mais do que três horas desconectadas. Isso vale para os filhos e para a equipe. Conexão real, escuta ativa, disponibilidade emocional: são essas as pontes que sustentam relações duradouras.

E se tem algo que essas férias me ensinaram foi isso: descansar também é estratégico. Reduzir o ritmo, mesmo que momentaneamente, não é retrocesso. É uma forma de recarregar energia para seguir com mais clareza e intenção. Quando aceito esse movimento cíclico, consigo voltar ao trabalho com mais foco, ideias novas e uma sensação boa de que fiz o que precisava ser feito no tempo que era possível.

As férias escolares não foram uma pausa no caos. Foram um espelho da vida real, cheia de ajustes, aprendizados, falhas e acertos. Elas me mostraram que liderar começa em casa, que o improviso é uma competência poderosa e que gestão de verdade não se faz com planilhas apenas — mas com afeto, escuta e coragem.

Então, se você está equilibrando prazos com brinquedos espalhados pela casa, saiba: você está, sim, exercendo um tipo muito sofisticado de gestão. Aquela que não está nos livros, mas que ensina mais do que muito curso por aí. E que, no fim das contas, nos torna profissionais (e pessoas) mais completas.

Susan Jareck / Diretora & Founder Conduzze Recursos Humanos

 

 

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